Há um bom tempo, minha namorada e eu tínhamos na nossa bucket list fazer o passeio do Tren a las Nubes, e em outubro de 2015, aproveitando nosso desejo de conhecer a região do Atacama no Chile, pesquisamos possibilidades de roteiros e vimos que poderíamos incluir Salta, cidade de onde parte o Tren a las Nubes, nele. A partir daí todo o planejamento foi feito para conseguir encaixar nesta viagem o passeio no Tren a las Nubes, nosso roteiro final acabou virando Salta e Deserto do Atacama (post em breve) passando assim a incluir o passeio no Tren a las Nubes.
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| Tren a las Nubes |
Com o roteiro definido na madrugada fria de 03 de outubro realizamos o tão aguardado passeio. O passeio dura o dia todo, pois o trem parte da estação de Salta as 7h da
manhã e retorna por volta das 22h. Nós fizemos a opção ida e volta (é oferecida a opção
só ida). O trem só sai às quartas-feiras e sábados durante a alta temporada. Para maiores informações, acessem o site do Tren a las Nubes.
Como o passeio era parte fundamental do meu roteiro, tentei efetuar a compra dos bilhetes pelo site, porém quando tentava finalizar a compra da passagem pelo site ocorria um erro, pois não existia a opção para pagamento com cartão de crédito que não
fosse argentino. Entrei em contato com a empresa por e-mail (utilizando a ajuda do
Google Tradutor) e após apenas 5 minutos obtive a resposta que realmente eles não
tinham esta opção e que no futuro iriam resolver.
A solução, no meu caso, foi pedir para a agência com a qual
eu já tinha fechado outros passeios pela região de Salta, a Turismo Tastil comprar os bilhetes e me
mandar o voucher por e-mail, o que foi prontamente atendido. Aliás, gostei
bastante desta agência, mas falarei sobre ela em outro post. O valor do
ingresso para o passeio ida e volta foi AR$1.820 em outubro de 2015, verifique os preços aqui.
No dia do passeio acordamos as 5h30 da manhã, no voucher do passeio pede para
chegar as 6h20 para que todos possam ser acomodados nos seus lugares com
tranquilidade. A estação de trem fica na calle Ameghino esquina com a calle
Balcarce. Quem estiver hospedado próximo a Plaza 9 de Julio pode
muito bem ir andando, no nosso caso estávamos hospedados na própria calle
Balcarce, então foram cerca de 20 minutos de caminhada (num frio de 7°C)
tranquila, passando pelo departamento de Policia de Salta, pela Plaza
Gral. Martín Miguel de Güemes e pela região com muitos bares e baladas
(que estavam fechando no horário) de Salta.
Chegando na estação encontramos com alguns vendedores, você pode-se comprar algumas bebidas e folha de coca para a viagem, evidente que os preços são mais altos que o normal portanto é recomendável efetuar as compras com antecedência nos mercados e kioskos de Salta.
Cada vagão conta com um ou dois guias. Uma equipe médica fica dentro do trem para efetuar os primeiros-socorros caso sejam necessários, principalmente causados pelo efeito da altitude que algumas pessoas sentem com maior intensidade algumas pessoas, felizmente nós não sentimos quase nada dos efeitos da altitude. Equipes de apoio fazem a segurança do passeio, acompanhando o trem com caminhonetes e motos, além de uma ambulância que segue junto caso haja necessidade.
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| Carros de apoio. |
Após um pouco de atraso, por volta de 7h30 o trem finalmente começava a andar, neste início do passeio, o trem passa pela periferia de Salta, sem nada para ver, sendo assim as janelas ficam todas fechadas (se você tentar abrir o guia vem e pede para você fechar novamente), sendo assim, neste momento é servido o café da manhã (incluso no valor do bilhete) bem simples, portanto é recomendável levar seus próprios alimentos, evitando a fome ao longo do passeio. Saliento que também existe o vagão restaurante, onde é possível comprar lanches, bebidas e outras coisas. É neste momento que passam oferecendo a opção de almoço, que não utilizamos, pois como o vagão é pequeno eles dividem em turmas para que todos possam comer com tranquilidade. Passado alguns minutos o guia autoriza a abertura das
janelas.
A viagem de trem dura cerca de 8h, passando por 29 pontes, 13 viadutos, 21 túneis, 2 rulos e 2 zique-zagues. O grande destaque do trem está do lado de fora: as magníficas paisagens que vamos encontrando ao longo do caminho percorrido. A vista pela janela começa com a vegetação do Vale de Lerma, passando pela Quebrada del Toro e chegando na árida Puna argentina.
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| Uma das 29 pontes ao longo no percurso. |
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| Paisagem pelo caminho do Tren a las Nubes. |
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| Paisagem pelo caminho do Tren a las Nubes. |
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| Paisagem pelo caminho do Trem a las Nubes. |
Um momento muito interessante da viagem é quando o trem utiliza o sistema de zigue-zague. Este recurso foi
utilizado para vencer a grande altitude das montanhas da região, e evitar a
utilização de equipamentos mecânicos, que são caros e precisam de manutenção
especifica. São dois zigue-zagues ao longo do percurso. O trem também realiza duas voltas de 360º, rulos em castelhano, em torno de duas
montanhas, método que também facilita vencer mais altura por quilometro de
ferrovia.
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| Inicio do ZIG-ZAG. |
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| Final do ZIG-ZAG |
O final do passeio é no Viaducto
la Polvorilla, a 4.220 m acima do nível do mar. O trem chega no viaduto por
volta das 15h, e realiza a primeira parada do passeio. O local é como se fosse
um grande mirante, a vista do local é simplesmente fantástica. No local existem
muitos vendedores que vivem na região e tiram boa parte do seu sustento dos dias
que o trem passa no local, pudemos ver roupas, artesanatos, comida, lhamas (pra
tirar foto, não comprar) e diversas outras coisas.
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| Viaducto La Polvorilla - Final do Passeio. |
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| Viaduto La Polvorilla |
A parada é curta, cerca de 20-30 minutos apenas, após isso voltamos
para o trem e começamos a voltar. Cerca de 20 minutos depois o trem chega à
segunda parada, na cidade de San Antônio de los Cobres. Nesta parada ocorre a
mudança de modal – do trem para o ônibus/van – feita a troca as vans param no
Mercado Artesanal de San Antonio. Aproveitamos para comer uma típica empanada salteña, que não foi grande coisa, após um tempo para que todos possam
comer alguma coisa e comprar artesanatos as vans partem para a próxima parada.
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| San Antonio de los Cobres |
A terceira (e última) parada é em Santa Rosa de Tastil, última
oportunidade de utilizar um banheiro antes da volta. Durante esta parada
conhecemos o Museo de Sitio, um museu pequeno porem muito legal,
com muitas informações sobre os povos pré-colombianos da região, a entrada é
gratuita e vale muito a pena.
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| Museu de Sitio de Santa Rosa de Tastil |
Saindo de Santa Rosa começa a pior parte do passeio, a volta para Salta.
O caminho é simplesmente horrível, a estrada é precária, tem trechos que não
passam dois veículos ao mesmo tempo, caminhões a toda velocidade, falta de
sinalização, com certeza a pior parte do passeio, mas sobrevivemos. A nossa van chegou na Plaza
9 de Julio por volta das 21h40 da noite.
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| Voltando para Salta |
Em minha opinião o passeio foi muito bom e vale muito a pena,
conseguimos ver lindas paisagens, conhecer mais sobre como as pessoas vivem
naquela região da Argentina, chegamos a 4.220 m de altitude (o mais alto até
então), ver um pouco da engenharia aplicada no local com os zigue-zagues e os rulos durante o percurso do trem, enfim, recomendo que quando forem para
a região de Salta separem um dia para realizar esse passeio.